Davi Alcolumbre: Relação com Lula oscila entre tensões e parcerias no Senado
Apesar da expectativa de reconciliação, atritos persistem nas interações entre o presidente do Senado e o governo.

Brasília, DF - O senador Davi Alcolumbre (União-AP) retorna ao comando do Senado em 2025, alternando entre ser um importante aliado do governo Lula (PT) e enfrentando conflitos, especialmente em relação às indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para as agências reguladoras.
A expectativa é de que a relação entre Alcolumbre e Lula melhore nas próximas semanas, embora tensões ainda sejam notadas em conversas reservadas. Aliados de Alcolumbre afirmam que a relação atual está distante do início de sua gestão.
Alcolumbre, que já presidiu o Senado e o Congresso entre 2019 e 2021, recebeu amplo apoio para seu retorno ao cargo, incluindo a colaboração do governo e do PT, além da maioria da oposição. Nos meses seguintes, ele se firmou como um dos principais apoiadores do Planalto no Legislativo.
Senadores da base governista reconhecem que Alcolumbre foi fundamental para garantir apoio a projetos de interesse do Executivo, tornando-se mais relevante nessa função do que os líderes tradicionais do governo no Senado. Enquanto isso, Lula enfrenta dificuldades na Câmara dos Deputados, com o Senado se mostrando sua principal fonte de governabilidade.
Senadores aliados ao governo expressam descontentamento com a falta de mobilização de correligionários para defender os projetos do governo, pedindo mudanças para o final do mandato, especialmente em um ano eleitoral.
As interações entre Alcolumbre e Lula, que antes eram informais, passaram por tensões após a aposentadoria do ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso em outubro. A crise política se intensificou com a escolha de Jorge Messias para a vaga no STF, a qual Alcolumbre preferia que fosse preenchida por Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Ainda sem votação sobre a indicação de Messias, a relação entre Alcolumbre e Lula se deteriorou, especialmente após o senador anunciar a discussão sobre um projeto de aposentadoria especial de agentes de saúde, desafiando os interesses do governo e sendo interpretado como uma retaliação.
Recentemente, a situação parece ter esfriado, com Lula mantendo conversas com senadores próximos de Alcolumbre e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), trabalhando para reaproximar os dois. Após a última sessão do Congresso, Alcolumbre confirmou que conversaria com Lula se convidado, e os dois tiveram uma conversa telefônica seguida de um encontro pessoal.
Durante a conversa, Lula agradeceu a Alcolumbre pelos projetos aprovados e discutiu a indicação de Messias, mas não houve conclusão. A expectativa é que a relação entre eles melhore, embora ainda não tenha retornado ao nível de colaboração de 2025.
Antes da indicação de Messias, já havia conflitos relacionados à escolha de diretores para agências reguladoras, que também exigem aprovação do Senado, resultando em atrasos nas nomeações. Além disso, Alcolumbre tem trabalhado nos bastidores para derrubar o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, próximo de Lula, sem sucesso até o momento.