Agronegócio2 min de leitura

Cinzeiro-pataguá: árvore ameaçada pode sumir com novas alterações climáticas

Espécie rara, endêmica da Serra Catarinense, enfrenta riscos devido a mudanças no microclima

Agronegócio2 min de leitura

Publicidade

Espaço reservado para anúncio

cinzeiro-pataguá

Foto: divulgação/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

O _Crinodendron brasiliense_, popularmente conhecido como cinzeiro-pataguá, é uma árvore rara que se desenvolve em altitudes superiores a 1.500 metros na Serra Catarinense, em regiões de florestas nebulares e de araucária, onde o clima é predominantemente úmido e frio.

A maioria das árvores conhecidas dessa espécie está localizada no Parque Nacional de São Joaquim, tornando essa área crucial para a sua conservação.

Identificada na década de 70, a árvore ainda é pouco estudada, e alterações no microclima, no regime de chuvas e na estrutura da vegetação podem impactar sua sobrevivência.

Classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a espécie pode alcançar até 12 metros de altura, apresentando tronco ereto, ramos pendentes e flores brancas em forma de sino. A diversidade genética entre os indivíduos é notável, o que tem sido documentado através de pesquisas de campo.

Pesquisadores do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração – Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-BISC) têm contribuído para o entendimento sobre a distribuição e características do cinzeiro-pataguá, revelando que suas taxas de germinação são baixas, um fator que limita sua regeneração natural e reforça a necessidade de preservar seu habitat.

A proteção do Parque Nacional é vital, uma vez que a maioria das árvores dessa espécie encontra-se dentro de seus limites, garantindo as condições ambientais necessárias e proporcionando um espaço seguro para investigações científicas. O pesquisador Rafael Barbizan Sühs, da Universidade Federal de Santa Catarina e da Clemson University, ressalta a importância da unidade de conservação: “Sem a proteção legal e o manejo adequado desse território, as chances de sobrevivência seriam menores. O parque é um laboratório natural que gera conhecimento essencial para garantir a continuidade da espécie”.

Entretanto, mesmo com a proteção, a espécie enfrenta desafios, como a presença de javalis que consomem frutos e sementes, comprometendo a regeneração. O manejo adequado dos campos nativos é essencial, pois o acúmulo de biomassa pode favorecer incêndios, como os que ocorreram em 2020. A implementação de queimas prescritas, quando realizadas de maneira técnica, pode minimizar esses riscos e ajudar na preservação do mosaico de vegetação da região.