Brasil busca flexibilização nas cotas de carne bovina com a China
Proposta visa que o Brasil absorva volumes não utilizados por outros países sem tarifas adicionais.

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O Brasil está planejando apresentar à China uma proposta que visa a flexibilização das cotas de exportação de carne bovina isentas de tarifas adicionais, conforme anunciado pelo governo chinês em 31 de outubro. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que, caso algum país não cumpra sua cota, o Brasil poderá assumir essa quantidade.
Fávaro destacou que a negociação ocorrerá ao longo de 2026, priorizando um diálogo contínuo com as autoridades chinesas. Ele ressaltou a competitividade do preço e a qualidade da carne brasileira como fatores que podem ajudar a controlar a inflação de alimentos na China.
Recentemente, o governo chinês definiu cotas específicas para importação de carne bovina, com uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem o limite estipulado. Essas medidas, que afetarão os principais exportadores, entrarão em vigor até 2028.
O Brasil, principal fornecedor de carne bovina para a China, terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026, com incrementos anuais programados. Até novembro deste ano, o Brasil já havia exportado 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para a China, totalizando US$ 8,028 bilhões.
Outros países exportadores, como Argentina e Uruguai, também terão suas cotas limitadas, estabelecidas de acordo com suas respectivas participações no mercado chinês. Fávaro acredita que a atual cota permitirá ao Brasil avançar nas negociações e manter um fluxo de exportações saudável.
O ministro reafirmou a confiança na relação Brasil-China e a disposição do país em trabalhar para garantir a continuidade do comércio, sem intenção de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as novas medidas chinesas.